Juliano Enrico

Confira o bate-papo com Juliano Enrico, que conta tudo sobre a animação mais maluca do Cartoon Network!

Por Matheus Saad / 05 Fev 2015

Entrevistamos Juliano Enrico, uma das mentes por trás do desenho "Irmão Do Jorel". Na conversa ele fala sobre suas inspirações, sobre o sucesso da atração e também sobre planos para uma segunda temporada!

Confira aqui os dias e os horários em que você vai poder curtir "Irmão do Jorel" no Cartoon Network!

Vivo - De onde veio a ideia que deu origem ao "Irmão do Jorel"?

Juliano - Meus pais se dedicaram muito na captura de imagens da família. Sempre me diverti com essas fotos apenas olhando pra elas. Existem ali incontáveis personagens, cenários e figurinos implorando para serem transformados em personagens, cenários e figurinos de uma série de TV. Quando comecei a compartilhar essas fotos de família na internet, percebi que muita gente enxergava a própria família na minha família. O que amarrava tudo isso era essa ideia de que a família tinha um filho lindo com nome exótico e cabelos sedosos que ofuscava a existência dos outros irmãos. De certa forma, em algum momento da vida, todo mundo já foi um irmão do Jorel.

Vivo - As histórias dos episódios e os personagens são baseados em acontecimentos e pessoas presentes na sua vida?

Juliano - É uma série totalmente fictícia baseada em histórias, personagens e lugares reais. A ideia não é se basear em experiências pessoais pra contar histórias pessoais. É partir de experiências pessoais pra contar histórias de qualquer um. A Vovó Gigi curte um pirulito. Ela é viciada em doces de uma forma meio inconsequente. Ela gosta das coisas de um jeito meio inconsequente. Se o pirulito simboliza alguma outra coisa… Bom, faremos um episódio sobre isso futuramente. Existe um significado por trás de tudo e aos poucos segredinhos serão revelados. 

Vivo - Você sempre teve vontade de fazer algo dentro desse universo ou a ideia surgiu recentemente?

Juliano - Comecei a construir esse universo aos poucos mais ou menos em 2002. No início a minha ideia era fazer uma série em quadrinhos, mas com o tempo fui descobrindo o mercado de TV e as possibilidades de atingir um número maior de pessoas com aqueles personagens. Eu comecei fazendo quadrinhos na revista Quase, que hoje é um grupo chamado TV Quase, que produz conteúdo criativo pra TV, internet, cinema e agora também os roteiros do Irmão do Jorel. O núcleo é formado por Daniel Furlan, Arnaldo Branco, Valentina Castelo Branco, Caito Mainier, David Benincá e Raul Chequer.

 Vivo - Como foi o primeiro contato com o Cartoon Network?

Juliano - Ao longo dos anos fui desenvolvendo a série sozinho e quando fiquei sabendo que o Cartoon faria um pitching durante o "Forum Brasil TV" em 2009 com o objetivo de escolher um projeto para virar piloto, me inscrevi.

Vivo - Como é fazer conteúdo para o público infanto-juvenil?

Juliano - Minha ideia inicial era fazer quadrinhos de humor adulto, mas com o amadurecimento do projeto me deparei com a chance de me comunicar com um público bem maior. Acho que tudo melhorou bastante quando ficou mais sutil. Uma criança pode assistir um episódio do Irmão do Jorel com 9 anos e 10 anos depois assistir o mesmo episódio com outros olhos.

Vivo - Você esperava que o desenho fizesse todo esse sucesso?

Juliano - Não tive muito tempo pra pensar nisso porque estamos em ritmo frenético de produção. Me surpreendo com as mensagens de carinho que vejo na internet, que costuma ser um ambiente dominado pela amargura. Minha ideia era criar personagens que tivessem um vínculo afetivo com o público e acho que isso está funcionando bem. Tenho visto desenhos, fotos, esculturas e camisetas com os personagens. Esses dias vi uma criança fantasiada de Irmão do Jorel. Isso me deixou meio abalado de uma forma positiva.

Vivo - Você pensa em uma segunda temporada?

Juliano - Eu penso, sim. Estou pensando em 400 temporadas aproximadamente. Meu desejo é que mesmo depois de uma nova era glacial, continue passando Irmão do Jorel na televisão. Mesmo que não existam mais televisores no mundo ou que os livros substituam a televisão. Os últimos sobreviventes desse mundo pós-apocalíptico poderão assistir episódios inéditos enquanto caçam ursos polares gigantes assistindo Irmão do Jorel em seus livros com mini-televisores dentro. Mas sim, tenho muitas ideias para uma possível nova leva de episódios.

Vivo - Quais são seus projetos para o futuro?

Juliano - Estou sempre desenvolvendo novos projetos com a TV Quase. Temos projetos de programas de humor explorando outras linguagens e formatos que irão estrear esse ano ainda na TV e na internet. Existe também o desejo de continuar "O Último Programa do Mundo", que fazíamos na antiga MTV, em um formato novo. Acho que eu não deveria ter escrito isso. Vamos manter isso em segredo? É um segredo meu, seu e das pessoas que estão lendo essa entrevista.

Vivo - Você tem algum recado ou conselho para os fãs de Irmão do Jorel?

Juliano - A mentira nunca é o melhor caminho, mas se por acaso você sentir que leva jeito pra isso, vire roteirista.